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domingo, abril 30, 2017

Eternidade

Ninguém pode saber 
Eternidade do céu
Rotação infinita 
Imponderável 

Tempo de deserto e chama
O abandono ocidental
Em cada casa esquecida
Em cada futuro coberto de pó

Alma para protestos
Murmúrios de janelas quebradas
Um coração gentil sob um dia chuvoso
A pálida primavera na cidade quieta

Ou então são homens na praça
Ou então são mulheres que lutam
Ou é a fome de liberdade sufocada
O caminho pelo deserto e as lembranças

A música de nossa juventude
Quando nossos lábios, quentes
Sentíamos, mas não sabíamos 
Uma cidade desaparece lentamente

As vozes poderosas silenciam as cores
O cálculo frio de juízes comprados
A memória de um tempo de misérias 
Quem dará de comer a essa criança?

Rota de sol
Imponderável 
Ninguém definiu 
Eternidade do céu


Afonso Junior Ferreira de Lima 

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