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segunda-feira, maio 29, 2017

A hora da noite

Parece que existe algo fora da Biblioteca.

amor - separação - amor - separação: não necessariamente nessa ordem.

Existe alguma coisa que ouve - existe essa voz de fora - isso é um livro de ficção - o lugar é sem janelas. É preciso saber desse passado.

Eu dizia - temos de dar uma chance à humanidade, a você.

Confrontos, o som dos helicópteros, tiros foram disparados. As conquistas foram moderadas, mas nem isso se quer aceitar. Caso na Biblioteca. Onde as narrativas A, B e C ou mais conversam.

Na noite escura a lua. Uma janela. Não será feita uma síntese. O eu é arrastado pelo tempo. Os reflexos. Não será possível afirmar que podemos afirmar uma realidade.

Eu achava que eu tinha de crescer e aceitar as pessoas como são.
Um pouco mais de sensibilidade não é sensibilidade o bastante.

ele anda pelo trigo, ruivo e belo, ele abre o livro, o sol.

A brutalidade fora da Biblioteca. Sussurram. Ele foi preso, preso injustamente, a fumaça, o exército está na rua.

Sem janelas. A lua. Um relâmpago é o tempo da identidade que une, não pode ser integrado.

Existem pessoas que não podem ver nada além do eu.
É uma questão epistemológica, não moral.

O fluxo da mente como personagem. E, de alguma forma, os sons todos, os sons dançantes, precisam chegar a um trabalho de fim de semestre.

ele deixa cair o copo, derrama, uma sombra passa em frente ao sol, ele mudou seu tom de voz.

A fábula de alguém fabulando, estou nisso, depois me separo. Nunca dirá, sim, era eu, eu me lembro.

Se você perguntar por que eles não vêem nenhuma outra coisa além de si mesmos, eles perguntariam: que outra coisa?

Quem é esse eu na sombra, no escuro. Imaginar, a aventura. Voz, ouvinte e imaginador na mesa. Primeira pessoa negado.

O lixo nas ruas, chamas na rua. O presidente fala, ninguém acredita. Isso está mesmo acontecendo. A lei é privada. Quer a Biblioteca. Só a Biblioteca traz realidade à percepção.

Olha o homem passado de olhos azuis, escuro, a lua.

as folhas verdes, o brilho da nova estação. 

Sozinho, ele se divide, busca companhia, sussurram juntas as crianças feitas no escuro.

Foi lindo, aquele vinho e a voz ecoando, a toalha branca, as flores. Foi assim que voltamos a acreditar. Em vão. 

Azuis, sem querer relações. Sente o irmão, o outro, misterioso, entre as pedras da câmara esférica. Solidão amiga. Precisa.

Eu acreditava estar interagindo com alguém. Realidade inventada. 

Dentro da cabeça. A criança sozinha no bosque, sussurram juntas no escuro.

Caminha pelas paredes de herdadas verdades significadas. A notícia, ninguém acredita. Não vem ao caso, a imaginação que ajuda a iluminar. Novo aviso. Fechada a Biblioteca à noite.

Eu acreditava que você era alguma coisa quase integrada e não impulsos mal ajambrados e pedaços partidos. 

À janela, numa noite escura, na mesa, impulso incontrolável, vida inventada, imagens de uma vida, o poema passado, é preciso.

Afonso Junior Ferreira de Lima

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